15 novidades para a saúde do seu coração

Acompanhamos o maior congresso de cardiologia da América Latina, realizado em março de 2014 em São Paulo, e selecionamos novidades debatidas por lá que podem (ou poderão) ter impacto na sua vida.

  • 15 novidades para a saúde do seu coração

Acompanhamos o maior congresso de cardiologia da América Latina, realizado em março de 2014 em São Paulo, e selecionamos novidades debatidas por lá que podem (ou poderão) ter impacto na sua vida.
 
Baixe a pressão pulando na piscina
 
Exercícios como caminhada e alongamento dentro da água aquecida ajudam a controlar a hipertensão. É o que revela um trabalho do educador físico Guilherme Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), apresentado no 35º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp. "Atividades realizadas a 32°C estimulam a dilatação dos vasos", conta. Seu estudo foi feito com 32 portadores de hipertensão resistente, divididos em dois grupos, por 12 semanas. Só entre aqueles que se mexeram na piscina observou-se uma redução significativa na pressão. Acredita-se que o ambiente aquecido potencialize o relaxamento das artérias. 
 
Não basta cortar o LDL
 
Domar as taxas do colesterol ruim continua uma estratégia vital para prevenir o infarto, mas cardiologistas do grupo internacional R3I (Risk Reduction Initiative) destacam que, sozinha, a medida não faz milagres pelo peito. "Além do LDL, é fundamental baixar os níveis de triglicérides", diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, professor da Faculdade de Medicina da USP e membro do R3I. O especialista ressalta que também é preciso considerar e eliminar outros fatores, como a gordura abdominal, já que ela libera substâncias inflamatórias que danificam os vasos e favorecem a resistência à insulina e o diabete, duas situações propícias a panes cardíacas.
 
Examinando pequenos corações
 
Já é projeto de lei: o ecocardiograma fetal deve ser incluído no rol de procedimentos da gestante. O cardiologista Edmar Atik, do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, defende que a realização do exame ainda na barriga da mãe assegura maior eficácia no tratamento precoce de problemas congênitos no bebê. Por meio desse ultrassom, dá para diagnosticar defeitos anatômicos no coração e nas artérias a partir do quarto mês de gestação. Grávidas hipertensas e com histórico de doença cardíaca na família, por exemplo, não podem deixar de fazer. "Detectar as alterações permite que procedimentos sejam executados nas primeiras horas de vida da criança", diz Atik. 
 
Um novo jeito de medir a pressão
 
Imagine uma espécie de caneta que, encostada nas artérias do pescoço, capta os impulsos que vêm do coração e os envia para análise em um computador. Essa é a medida da pressão central, método que ganha espaço entre os médicos que lidam com a hipertensão, embora ainda não esteja disponível em consultório. "Uma das suas vantagens é aferir vasos mais próximos de órgãos como coração e cérebro, o que permite precisar melhor a pressão à qual eles estão submetidos", explica o cardiologista Luiz Bortolotto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Se a tecnologia for aprovada em larga escala, poderá substituir a boa e velha medida nos braços. 
 
Os minerais de que os vasos gostam
 
Célebres antioxidantes, o zinco e o selênio são festejados agora pela atuação em prol das artérias. Em palestra no congresso da Socesp, a nutricionista Silvia Cozzolino, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, mostrou diversos trabalhos ligando seu consumo a menor risco de infarto. O zinco, que aparece em peixes e frutos do mar, colabora na reparação das paredes das artérias, impedindo a formação da placa que boicota a passagem do sangue. Já o selênio, do gérmen de trigo e da castanha-do-pará (uma por dia é suficiente!), minimiza a ação de radicais livres e a agregação de plaquetas no interior dos vasos. 
 
O colégio tem de ajudar
 
Um levantamento com 6 320 estudantes de 6 a 19 anos em Piratininga, no interior paulista, dá uma ideia de como os níveis de colesterol da molecada estão nas alturas. Apenas 21% da turma avaliada apresentava taxas equilibradas. Outro dado do mesmo trabalho, conduzido por um time do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, aponta um exagero no consumo de sódio. Os estudiosos creem que a grande ingestão de carne vermelha explique em parte os achados. "Para reverter esse panorama, traçamos diversas ações, sobretudo nas escolas", conta a cardiologista Tânia Martinez, uma das líderes da pesquisa. "Sob orientação, as merendeiras já incluem mais hortaliças no cardápio e maneiram no sal." 
 
Teste ergométrico em discussão
 
Esse exame, normalmente feito em cima de uma esteira com eletrodos conectados ao tórax, quase virou sinônimo de checkup cardíaco. Mas, para alguns grupos, como mulheres abaixo dos 50 anos, parece ter pouca utilidade. "Ele é um método que mais confirma do que faz diagnóstico, e o estrogênio, o hormônio feminino, pode interferir nos resultados", diz o cardiologista Otavio Gebara, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. No entanto, o teste ergométrico continua uma boa pedida se a meta é apurar arritmias e picos de pressão durante a prática de atividade física. Vale conversar com seu médico para saber se ele, de fato, se faz necessário. 
 
Testosterona: meu bem, meu mal
 
A reposição desse hormônio ganhou audiência pelo seu pretenso efeito de melhorar o vigor e a vida sexual. Só que os especialistas flagraram uma associação entre o uso e o risco cardiovascular - e isso fica evidente quando o assunto envolve anabolizantes. A questão é que, se por um lado o excesso da substância de origem sintética prejudica as artérias, por outro o déficit de testosterona também abala o coração. "É preciso definir quem precisa mesmo e qual a quantidade ideal para suprir a demanda", analisa a cardiologista Maria Janieire Alves, do InCor. "Hoje há diferentes drogas sintetizadas a partir do plasma humano que ajudam a regular a produção em pacientes com deficiência." 
 
Eis a doce vilã
 
É um tipo de frutose, ou açúcar modificado, com alto poder adoçante, que, há anos, é incluído em refrigerantes, sucos e outros produtos industrializados. "Seu consumo cresceu 250% nos países desenvolvidos nos últimos 15 anos em função do abuso nos alimentos industrializados", diz a fisiologista Maria Claudia Costa Irigoyen, professora da Faculdade de Medicina da USP. Em um experimento orientado por ela, o biólogo Fernando dos Santos demonstrou que os animais que ingeriam porções exageradas da substância apresentavam aumento da pressão arterial, resistência à insulina e, claro, ganho de peso. 
 
Monitoria via celular
 
A alta tecnologia está prestes a dar apoio a brasileiros que carregam marca-passo e outros dispositivos eletrônicos implantados no peito. A bola da vez é a monitorização remota, que já faz sucesso fora do país. Por meio de um dispositivo semelhante a um celular, dados como o ritmo cardíaco e a eficiência do aparelho instalado para dar suporte ao coração são captados e enviados a uma central, que encaminha tudo ao médico do paciente. O sistema denuncia, assim, situações potencialmente perigosas, como taquicardias. 
 
Ronco condenado
 
Abordada no congresso, a apneia do sono já é rotulada como um tremendo fator de risco cardiovascular. O distúrbio, marcado por paradas respiratórias ao longo da noite, bagunça o fluxo de oxigênio para as artérias. "Ele contribui para o aumento da pressão, além de propiciar inflamações", diz o cardiologista Luciano Drager, do InCor. Embora seja um mal comum, a apneia ainda é subdiagnosticada. "É raro os médicos perguntarem sobre o sono nas consultas", observa Drager. Se você sente que suas noites de sono não andam reparadoras, avise seu clínico. 
 
Um panteão de novos remédios
 
Estudos com medicamentos nunca ficam de fora dos eventos da cardiologia. No encontro da Socesp não foi diferente. O primeiro destaque vai para as drogas voltadas à prevenção dos trombos. "Os novos anticoagulantes de uso oral, caso da rivaroxabana, da apixabana e da dabigratana, não apresentam interações com medicamentos e alimentos", diz o cardiologista Ricardo Pavanello, diretor de promoção e pesquisa da Socesp. É uma vantagem sobre os fármacos mais antigos, que podiam gerar reações adversas na presença da vitamina K, fornecida pelas verduras escuras, por exemplo.
 
No combate às taxas altíssimas de colesterol, o que há de mais moderno são os anticorpos monoclonais. "Eles elevam a captação de colesterol pelas células do fígado", explica Raul Dias dos Santos. Assim, sobra menos gordura circulando. Outra novidade é que tal medicação, injetável, também poderá ser utilizada com uma bomba de infusão, que fornece a substância aos poucos ao organismo.
 
Por fim, está chegando ao Brasil uma nova classe de comprimidos contra o diabete tipo 2, outro famoso inimigo do coração. Os chamados glicosúricos, veja só, equilibram a glicemia eliminando o excesso de açúcar pela urina.
 
Aceita um café?
 
A bebida não deixou de ser apreciada em um simpósio sobre nutrição. Apesar dos mitos que a envolvem, uma revisão publicada no periódico da Associação Americana do Coração confirmou, após analisar dezenas de pesquisas, que beber de três a cinco xícaras por dia não favorece problemas cardíacos nem aumenta a propensão a um derrame. Uma dica de preparo é usar filtro de papel ou coador de pano para reter substâncias gordurosas que podem elevar o colesterol. O único senão fica a cargo de quem tem arritmia, uma vez que a ação estimulante do café pode repercutir no ritmo do peito. 
 
Arritmia congelada
 
Desembarca no país a crioablação, uma técnica indicada a alguns casos de fibrilação atrial. "Esse quadro faz com que o ritmo cardíaco fique em descompasso, facilitando a formação de coágulos que podem se deslocar até o cérebro e causar um AVC", explica o cardiologista Guilherme Fenelon, da Universidade Federal de São Paulo. O novo método localiza o foco do problema por meio de um cateter com um balão, que resfria uma área do músculo cardíaco, cauterizando-a em apenas uma aplicação. Seria, portanto, um procedimento mais rápido e eficaz. 
 
Mulheres em foco
 
A pesquisa Sinta Seu Coração, realizada com 5 318 brasileiras sob coordenação das revistas SAÚDE e CLAUDIA, da Editora Abril, em parceria com a Socesp e a Nestlé, também rendeu uma sessão de debate no congresso. Considerado um dos maiores levantamentos sobre estilo de vida e percepção sobre os problemas de coração na ala feminina, o Sinta sinaliza que as mulheres ainda ignoram a ameaça da doença cardiovascular, embora ela mate seis vezes mais do que o câncer de mama e o de colo do útero. "Muitas brasileiras pensam que infarto é coisa de homem e deixam de se cuidar", afirma Otavio Gebara, um dos envolvidos na iniciativa. Entre os dados que chamam a atenção, só 47% das mulheres dizem ter a pressão medida quando vão ao consultório. "Isso é crítico se pensarmos que a hipertensão é silenciosa, causa diversos prejuízos e é comum após os 50", avalia Gebara.
 
A pesquisa também mapeou o desconhecimento das brasileiras em relação a outros patrocinadores de males cardíacos, como gordura abdominal e diabete. "Elas precisam estar conscientes desses fatores de risco, já que a maioria é controlável", diz Gebara. E os profissionais de saúde, por sua vez, devem ficar mais atentos ao coração das pacientes.
 
Fonte:
http://mdemulher.abril.com.br/saude/fotos/prevencao-trata/15-novidades-saude-seu-coracao-786111.shtml#15

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