Entenda por que comer pouco não ajuda a emagrecer

O nutricionista espanhol Jordi Costa tira dúvidas importantes sobre emagrecimento e alimentação.

  • Entenda por que comer pouco não ajuda a emagrecer

Comer pouco pode até me fazer engordar?
 
Certamente sim. Quando estamos sob uma restrição calórica severa (por exemplo, em dietas muito restritivas) nosso organismo ativa diferentes vias de sobrevivência e de economia de energia, motivo pelo qual nosso gasto metabólico se reduz significativamente (este processo é conhecido como termogênese adaptativa). Assim, as calorias que antes eram necessárias para manter um equilíbrio, agora nos levarão a um superávit calórico e, consequentemente, ao ganho de peso.
 
Por que eliminar o macarrão, o arroz e o pão da dieta não é a solução para perder gordura?
 
Eles alimentos têm em comum o fato de serem uma fonte importante do nutriente energético por excelência: o carboidrato. Durante anos ele foi culpado pelos números associados ao sobrepeso e à obesidade atuais, mascarando fatores mais importantes como a qualidade dos alimentos que consumimos, os altos índices de sedentarismo atuais, e o boom do fast food e dos alimentos processados, entre outros. Demos uma importância excessiva aos nutrientes enquanto nos esquecemos do que sempre foi realmente importante: os alimentos.
 
O macarrão, o arroz e o pão podem fazer parte de uma dieta focada na perda de gordura, sempre que levarmos em conta fatores como a qualidade destes alimentos (priorizando que sejam integrais), a quantidade que devemos consumir e nosso nível de atividade física diária.
 
Comer menos do que precisamos pode ter algum efeito negativo sobre a saúde?
 
Sem dúvida. Estamos diante de uma situação paradoxal: metade da população não possui os alimentos necessários para sobreviver, enquanto a outra metade está se alimentando excessivamente (e, ainda assim, continua malnutrida devido a dietas pouco saudáveis).
 
Como comentei anteriormente, nosso organismo é inteligente e, diante de uma restrição calórica, ativa diferentes vias de economia energética. No caso das mulheres, por exemplo, a função reprodutora costuma ser uma das primeiras afetadas, com episódios de menstruações irregulares ou até a perda da menstruação (que é conhecida como amenorreia secundária). Além disso, este episódio costuma causar uma desmineralização óssea grave (aumentando o risco de fraturas), uma queda da imunidade (imunossupressão), e pode chegar a afetar a saúde cardiovascular e renal, entre outros. Alguns sintomas que podem nos ajudar a detectar a falta de energia são a queda de cabelo, unhas fracas, fadiga crônica, mau humor, perda de peso brusca, e alguns outros.
 
Por que as dietas com restrição calórica severa não funcionam?
 
Elas costumam prometer resultados rápidos e relativamente fáceis de conseguir, por isso a motivação inicial é elevada. No entanto, dois fatores fundamentais são ignorados: a aderência e o entorno hormonal. É difícil seguir um estilo de alimentação proibitivo, sem sabor, restritivo e fechado, a longo prazo, por isso a pessoa tende a abandoná-lo e recupera todo o seu peso anterior (ou ganha até mais peso do que antes). Por outro lado, estas restrições alteram hormônios relacionados à fome e à saciedade, o que faz com que tenhamos continuamente uma sensação de fome, buscando assim alimentos saborosos e de recompensa rápida (aqueles doces ou os ricos em gorduras).
 
Durante quanto tempo é recomendável fazer dieta?
 
Não faça dieta. Mude seus hábitos, seu estilo de vida. Uma dieta pode ser indicada para casos específicos e pontuais, como doenças concretas ou situações especiais, mas um estilo de vida saudável será para a vida toda. Muitas vezes nos esquecemos de um fator crucial: a educação nutricional.
 
Existe uma quantidade ideal de refeições diárias para perder peso?
 
Não. Não foram encontradas diferenças em relação à perda de gordura comendo 3 ou 6 vezes ao dia. Trata-se de adaptar o horário das suas refeições ao seu dia a dia. Em pessoas que possam sentir ansiedade pelo consumo de certos alimentos, dividir a ingestão ao longo do dia pode ser uma boa ferramenta para controlar a fome. Caso contrário, se você é uma pessoa que não está acostumada a tomar café da manhã, por exemplo, não precisa fazê-lo.
 
É preciso parar de comer algum alimento para emagrecer?
 
A frase “pode-se comer tudo com moderação” tem sido supervalorizada. Na minha opinião, há alimentos de alta densidade nutricional e outros que não oferecem benefício algum, motivo pelo qual não precisam fazer parte da sua alimentação regular. Tente comer alimentos que não tenham etiquetas ou embalagens, que venham da terra (vegetais, frutas, tubérculos, cereais integrais…) e você terá muito a ganhar.
 
Os produtos “light” são aconselháveis para perder peso?
 
O rótulo “light” não indica uma supressão total das calorias, açúcares ou gorduras, e sim que o produto tem uma quantidade 30% menor destes nutrientes do que a sua versão não light. Por exemplo, uma manteiga pode ser light e continuar tendo um alto percentual de gordura. Na hora de perder peso, foi observado que o consumo destes alimentos cria uma falsa segurança no consumidor, o que faz com que ele acabe ingerindo uma quantidade maior. Além disso, estes produtos costumam proporcionar uma saciedade menor, motivo pelo qual em pouco tempo a fome volta a aparecer.
 
É possível comer gorduras e emagrecer ao mesmo tempo?
 
Sem dúvida alguma! A associação entre a gordura dos alimentos e a gordura corporal não é inteiramente correta. A gordura é essencial para diversas funções biológicas, e sem ela nossas células não poderiam existir. No âmbito dietético, a gordura, além disso, proporciona sabor e saciedade aos nossos pratos, por isso o grau de aderência às diretrizes nutricionais é maior, fazendo com que a perda de peso seja mais prolongada com o tempo.
 
Pular o jantar pode ajudar a emagrecer?
 
Nenhuma refeição diária é essencial. Se pularmos o jantar com o objetivo de consumir menos calorias, temos que levar em conta o impacto hormonal que isso terá: durante a noite sentiremos fome e poderemos recorrer a soluções rápidas e pouco saudáveis (algo semelhante ocorrerá no café da manhã). Não é questão de comer menos, é questão de comer melhor.
 
Comer pouco favorece o efeito rebote quando a dieta acaba?
 
O efeito rebote costuma ser decorrente de uma restrição calórica severa, que provoca, entre outras coisas, uma perda excessiva de massa muscular e um dano metabólico significativo. Para evitar este efeito, nossa perda de peso deve ser progressiva e sempre combinada com exercícios de força planejados que ajudem a prevenir a perda de massa muscular.
 
Se cometemos o erro de comer pouco durante um tempo, podemos consertar a situação?
 
Sem dúvida. Como profissionais de saúde, temos que transmitir uma mensagem de educação nutricional atualizada, deixando para trás mitos e mentiras publicitárias. Se você está pensando em perder peso, procure um profissional capacitado para ajudá-lo. Não busque soluções rápidas e nem milagrosas: elas não existem.
 
Laura Martínez Linde
Doctissimo
 
Fonte:
https://br.vida-estilo.yahoo.com/entenda-por-que-comer-pouco-nao-ajuda-a-emagrecer-080339582.html

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