Hidroterapia

Aplicada ao corpo, opera nele modificações que atingem, o sistema nervoso, que por sua vez, age sobre o aparelho circulatório, produzindo efeitos sobre regularização do calor corporal.

  • Hidroterapia

Por hidroterapia entende-se o tratamento pela água sob suas diversas formas e a temperaturas váriáveis.
 
A água é um dos meios de cura, um veículo de calor ou frio para o corpo.
 
Aplicada ao corpo, opera nele modificações que atingem, em primeiro lugar, o sistema nervoso, o qual, por sua vez, age sobre o aparelho circulatório, produzindo efeitos sobre regularização do calor corporal.
 
As reações da aplicação da água são portanto, três: nervosa; circulatória e térmica.
 
Medicina Natural
 
Por volta de finais do século XIX e início do século XX desenvolve-se um retorno às teorias hipocráticas vitalistas, em oposição ao reducionismo da teoria dos germens, das teorias da síntese orgânica e materialismo positivista. A Naturopatia ou Medicina Natural onde as proposições de Vincent Priessnitz (Gräfenberg, Austria, 1799 - 1851); Sebastian Kneipp (Baviera, 1821 - 1897); Louis Kuhne (Leipzig 1835 - 1901) com sua nova ciência de curar; Tadeo de Wiesent (Baviera, 1858 - 1926) e Manuel Lezaeta Acharán (Chile 1881 - 1959) com sua doutrina térmica são expoentes significativos dessa busca pela condição ideal de existência onde o contacto com a água limpa e outras maravilhas da vida natural é essencial. (Bontempo; Hoisel)
 
Até hoje apesar da diversidade de correntes e tendências, especialmente quanto a prescrição dietética (vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos, crudívoros, macrobióticos, etc.) a hidroterapia se mantém enquanto prática terapêutica. Recentemente destaca sua associação às medicinas orientais e o seu desenvolvimento como técnica de fisioterapia.
 
Os esteticistas utilizam diferentes substâncias (lamas, sais minerais, mel, ervas) aromáticas e nutritivas para deter o processo de envelhecimento.
 
Água fria
 
A água fria excita fortemente a sensibilidade periférica, e a excitação experimentada é levada, por via centrípeta, até os centros corticais, produzindo diversos reflexos, dos quais para nós os mais interessantes ocorrem na periferia, nos vasos superficiais e nos órgãos subjacentes, na pele.
 
O sistema nervoso sensitivo, excitado na totalidade das suas ramificações periféricas, é estimulado e melhorado nas suas funções, produzindo, no indivíduo, uma sensação de bem estar, e a pessoa se sente reanimada, alegre disposta para o trabalho. O sistema nervoso recupera o seu tom. Por isso se pode dizer que a água fria é um tônico para o sistema nervoso. A aplicação de água fria ao corpo ao mesmo tempo tônica e sedativa, regulariza as funções nervosas e é indicada na luxação.
 
Água quente
 
Há fortes indicações de que os asiáticos começaram e difundiram a prática em aproximadamente 2400 aC. O Ofurô é um tipo de banheira feita no Japão para o usuário tomar banho com temperatura da água entre os 36 e 40°C. Seu maior benefício é a limpeza de pele e descontração muscular. No Brasil o clima predominante (tropical) não permite temperaturas tão elevadas, deve-se realizar hidroterapia em torno de 30 °C - 32 °C, para que haja um relaxamento do músculo e aumento de flexibilidade sem lesionar a pele com queimaduras.
 
O banho quente seguido de água fria (contraste) está associado à efeitos vasculares e condicionamentos da hemodinâmica, segundo os naturopatas.
 
A Hidroterapia e a Fisioterapia
 
A Fisioterapia utiliza diferentes combinações de exercícios na água quente e fria, tornando a utilização da água, tanto em piscinas quanto em banheiras terapêuticas, um dos recursos mais famosos e utilizados por profissionais fisioterapeutas pelas suas propriedades físicas, além de proporcionar prazer ao paciente.
 
História
 
O valor da água na vida é reconhecido praticamente por todas as culturas. Já os médicos egípcios - que eram também sacerdotes, astrônomos e artistas - atribuíam grande importância a diversas medidas de higiene relacionadas com a alimentação, vestuário, ginástica e aplicações hidroterápicas. A prática da hidroterapia (do grego hydro, "água" e therapeia, "cura"), também é indicada por vestígios de instalações de higiene proto-indianas (2500 a.C.) e dos banhos caldeus.
 
A noção de que água integra a composição do corpo e do universo ocorre simultâneamente nas civilizaçoes orientais da China e Índia. Segundo essas culturas, tudo o que existe resulta de uma relações entre os cinco elementos: água, ar, terra, fogo e éter (na Índia) ou madeira (na China). Os gregos reconheciam apenas quatro elementos (água, fogo, terra e ar).
 
Sítios arqueológicos gregos incluem locais de banhos e há numerosas referências às virtudes curativas da água. Nos cantos homéricos (1000 a.C.) fala-se de ritos de purificação com água, que precediam a entrada no templo de Esculápio (ou Asclépio), o deus grego da medicina. Por volta de 500 a.C., os templos de Asclépio situavam-se perto de fontes e incluíam locais de banho. Píndaro (518-446 a.C.) dizia que "a água é o que de melhor existe". Pitágoras (530 a.C.) recomendava a seus discípulos os banhos frios e a dieta vegetariana (juntamente com algumas ervas medicinais e a ginástica). Hipócrates de Quíos (460-377 a.C.) fez amplo uso da hidroterapia, destacando o papel da pele para a desintoxicação do organismo. Muitos dos procedimentos hidroterápicos fundamentais (vapores, compressas úmidas com água doce ou salgada e mel ou azeite), ainda em uso, já eram utilizados por Hipócrates.
 
As mulheres dos antigos macedônios banhavam-se com água fria, após o parto (norma higiênica e de prevenção de hemorragias pós-parto)
 
Os escritos de Cícero, César Augusto, Horácio, Plínio o Velho e sobretudo de Aulo Cornélio Celso e Galeno mostram como as práticas hidroterápicas (irrigações, ingestão, duchas, banhos), muitas vezes aprendidas dos médicos gregos, tornaram-se importantes para os romanos e se desenvolveram através da difusão das termas, os locais destinados aos banhos públicos, e de instalações balneárias. A medicina romana manteve o tratamento com água aquecida/resfriada, que passou a ter ampla utilização. Os banhos públicos podiam ter diversas finalidades, entre as quais a higiene corporal e a terapia pela água dotada de propriedades medicinais; em geral, as manhãs eram reservadas às mulheres, e as tardes destinadas aos homens. Com a decadência do Império Romano perderam-se os vestígios dessas práticas nos séculos seguintes.
 
Em 313 na cidade de Milão, Constantino, Imperador romano do Ocidente e Licínio, Imperador romano do Oriente preparam um documento (edito) enviado a todos os governadores das Províncias, onde se consagra o princípio da liberdade religiosa e/ou proibição do paganismo e segundo alguns autores inclusive dos banhos públicos ou termas.
 
A expressão termalismo também é utilizada para designar as diversas técnicas e práticas da hidroterapia, de acordo com Quintela os locais onde se práticam tais intervenções são designadas por Balneários, Termas, Casas de Banho, Estâncias Termais ou Hidrominerais e Caldas. Diversas cidades ao longo do século XIX e XX foram assim designadas no processo, segundo a referida autora de legitimação dessa antiga prática da "medicina religiosa".

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